nº 032P                                                                                                                  Junio 2005


"Irmãos, eu vos exorto,
pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
 a que estejais todos de acordo no que falais e não haja divisões entre vós.
Pelo contrário, sede bem unidos no sentir e no pensar."
(1Cor 1, 10)


 

Queridos irmãos e irmãs, cursilhistas do mundo todo:

A todos graça e paz de Deus nosso Pai e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Convidado pelo Secretariado Nacional do MCC da Espanha, o Assessor do Comitê Executivo do OMCC, Pe. José G. Beraldo, apresentou o tema "A Comunhão como forma de vida no MCC", no VII Encontro Nacional de Responsáveis do MCC, de 31 de março a 03 de abril de 2005, em Murcia, que reuniu 206 Responsáveis. Nesta Carta Mensal acreditamos oportuno partilhar com os cursilhistas de todo o mundo alguns pontos importantes para a reflexão, especialmente dos que estão-se preparando para o já próximo VI Encontro Mundial. Começamos falando de conceitos desvirtuados; na próxima Carta falaremos do que é um autêntico conceito de comunhão.

I. Esclarecimento sobre um conceito desvirtuado de comunhão

1. O que não é comunhão

1.1. Simples cooperação. A cooperação é um ato transitório e não uma atitude permanente. A cooperação pode ser um sinal de solidariedade que, entretanto, não é plena comunhão. De fato, uma simples cooperação não exige total renúncia nem doação plena de si mesmo e daquilo que se possui. Cooperar pode ser um favor e não um compromisso.

1.2. Entendimento superficial. É aquele que não penetra no íntimo da pessoa e que, em muitas ocasiões, pode provocar equívocos e julgamentos injustos. É o entendimento meramente subjetivo. Quando a compreensão é superficial, quando não se aprofunda o mérito mas se julgam os fatos tão somente por opiniões pessoais, corre-se o risco de romper a comunhão, pois esta tem uma dimensão comunitária e não meramente subjetiva.

1.3. Uniformidade e pensamento único. Essas posturas são profundamente desagregadoras em qualquer comunidade e ocorrem quando não se consegue uma visão global da realidade em cada situação específica, seja das pessoas ou das regiões, das culturas dos países e da idiossincrasia. A conseqüência é o rompimento da unidade. Infelizmente, em nosso Movimento de Cursilhos de Cristandade, em virtude de uma incorreta compreensão do que seja unidade, está-se correndo um risco iminente de ruptura e divisão. O OMCC, responsável pela unidade do MCC em nível mundial, está vivendo os resultados de tais distorções e confusões. Criar barreiras à comunhão, é exigir de culturas diferentes, de Igrejas diferentes, de países diferentes, posturas absolutamente uniformes e um único pensamento.

1.4. Resistência ao perdão mútuo. Por orgulho, por vaidade, por amor próprio e por uma distorcida ´afirmação de personalidade´, resiste-se ao perdão mútuo, aos pedidos de desculpas dos que reconhecem seus próprios defeitos e limitações. Essa resistência cria entre as pessoas uma barreira muitas vezes insuperável, constituindo um grande obstáculo para a comunhão e a unidade. Recordemo-nos do Pai Nosso: "... e perdoai nossas dívidas, como também nós perdoamos aos nossos devedores…" (Mt 6,12)

1.5. Falta de respeito e adesão ao acordado. Com freqüência nos encontramos em situações de ruptura, isto é, de não cumprimento daquilo que foi acordado, invocando-se o fato de haver votado contra determinada resolução que foi de consenso da maioria. Ainda pior é quando se passa a incitar os demais a essa falta de comunhão e até de honradez. Neste momento temos problemas muito sérios no que se refere ao nosso texto-base "Idéias Fundamentais do MCC". Esse mesmo texto vem consagrado no Estatuto do OMCC aprovado pela Santa Sé. Entretanto alguns irmãos de Secretariados Nacionais – até mesmo dos mesmos que participaram de sua redação nos distintos Encontros Mundiais – não só não o aceitam como buscam criar substitutivos para o mesmo.

1.6. Falta de diálogo entre irmãos. As causas são muitas: diferentes pontos de vista, incompreensão das situações vividas pelo outro, mentalidades antagônicas, recusa à aceitação do novo como se todo o novo fosse nocivo e desintegrador. Prefere-se fomentar a divisão entre irmãos ao invés de se abrir ao diálogo, à troca de idéias e de informações para, então, formar um juízo de valor. A partir de suposições, sem um diálogo direto, e nos limites da falta de caridade, emitem-se opiniões como se fossem as únicas portadoras da verdade. Isso fica muito claro quando se pretende impor tais opiniões nas publicações, manifestos, declarações e matérias insistentemente veiculadas pelos modernos meios de comunicação. Tais atitudes rompem a comunhão e a unidade, dificultando seriamente um clima de diálogo fraterno.

1.7. Falta de comunicação. Apesar de vivermos na cultura da comunicação, falta uma abertura de nossa mentalidade a essa realidade. Por exemplo: são relativamente poucas as respostas dadas a comunicados, cartas, avisos, pesquisas, etc. Essa atitude acaba produzindo um distanciamento entre os organismos em todos os níveis, provocado pela falta de interesse, pela omissão e pela pouca importância que se dá à comunicação. Fere-se assim a comunhão fraterna, como se fosse possível, num mundo globalizado, viver isolado em seus próprios limites culturais e geográficos. Ou, pior, nos limites pessoais ou de grupos.

1.8. Falta de fidelidade na leitura e comunicação. Não são todos os Secretariados Nacionais que fazem chegar às bases as comunicações do OMCC de maneira integral, sem resumi-las, interpretando-as e permitindo, assim, outras interpretações incompletas ou errôneas.

1.9. Leitura distorcida do Estatuto do OMCC. "Leitura distorcida" é a que se faz ao interpretar a lei, a norma e o Estatuto com o "fermento e a justiça dos fariseus" (Cf. Mt 16,6) isto é, como parece a cada um segundo seu próprio desejo. Com mais de cinqüenta anos sem aprovação canônica, o Movimento deixou-se dominar por seu caráter eminentemente diocesano e isso contribuiu para o isolamento geral. Como já dissemos acima, o isolamento é um dos piores inimigos da comunhão.

1.10. Interpretações equivocadas. Sobretudo hoje, através dos modernos meios de comunicação, tornam-se públicos, para o mundo inteiro, divergências, mal-entendidos, e, infelizmente, até acusações e mentiras que acabam por adquirir aparência de verdade. Falta-se ao respeito às pessoas, no seu direito à privacidade e à dignidade. Essa é uma das atitudes mais desonestas e covardes entre irmãos que dizem amar-se. Fazem-se belos e emocionantes discursos e profundas reflexões sobre a unidade e a comunhão, que na verdade são só teoria e nem sempre chegam à prática. São comportamentos que afetam o coração da comunhão.

1.11. Grupos fechados em si mesmos. Para os quais é muito mais importante a reunião do que o grupo ou a pequena comunidade. Nesses casos, na reunião se reparte o pão da Palavra e a intimidade dos amigos e nesse momento existe o grupo; fora da reunião, na vida diária, o grupo não se manifesta nem como comunhão nem como testemunho de comunidade cristã.

1.12. Mentalidade relativista e egoísta. É uma das características da cultura contemporânea: "se para mim está bom, não importa que não esteja para os demais". Essa mentalidade impede a participação e a comunhão. Longe está tal mentalidade do espírito comunitário e, portanto, da "forma de vida" do cristão e do cursillista.

1.13. Interpretações equivocadas do conceito de "carisma". Em muitos casos está-se fazendo enorme confusão entre "carisma", que é essencial, e "dinâmica ou método de sua aplicação prática" que são importantes. Tais interpretações levam ao rompimento da comunhão infelizmente muitas vezes por pequenos detalhes.

Com nossos corações postos no Senhor a quem devemos servir, e rezando continuamente pela ´unidade na diversidade´ no nosso amado Movimento, nos despedimos como fiéis servidores no Cristo Jesus.


    

  FRANCISCO ALBERTO COUTINHO                   E. JOSÉ GILBERTO BERALDO
                Presidente                                                                 Assessor Eclesiástico

ANTONIO CARLOS SALOMÃO
Vice-Presidente

 

 

A CAMINHO DO VI ENCONTRO MUNDIAL...

1. Os Secretariados Nacionais já receberam as fichas de inscrição. Recomendamos aos interessados que procurem enviar as fichas preenchidas o quanto antes.

2. Lembramos a todos os Secretariados Nacionais que, durante o VI EM, serão realizadas as eleições dos novos países-sedes dos Grupos Internacionais.

3. O OMCC já divulgou e comentou os temas do próximo VI EM. Entretanto, em respeito ao Acordo de Mallorca, mesmo não havendo um tema específico sobre o ´carisma do MCC´ será esse assunto abordado nas mesas de trabalho, com base nos distintos comentários que chegaram ao nosso conhecimento.

4. O OMCC está fazendo os últimos contatos com Empresas de Turismo sediadas em São Paulo no sentido de recomendá-las aos participantes do VI EM que estiverem interessados em aproveitar sua viagem para conhecer um pouco do Brasil.

 

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